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Página 20: Rio Acre chega aos 15 metros em Rio Branco

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Rio Acre chega aos 15 metros em Rio Branco

Número de atingidos cresce e Defesa Civil já utiliza Parque de Exposição para alojar desabrigados

O nível das águas do rio Acre, que no último fim de semana ultrapassou a cota de alerta, chegou aos 15 metros na manhã de ontem em Rio Branco. Dez bairros já foram atingidos pela cheia do rio, cerca de 600 famílias foram afetadas e mais de 100 ficaram desalojadas. O aumento no volume de água do rio Acre é em decorrência da vazante que acontece em Brasiléia. Em 24 horas, o rio baixou naquela cidade 1,73 metros.

Entretanto, na capital, a enchente, que começou pelos bairros Ayrton Senna, Adalberto Aragão e Santa Terezinha, ganhou força nesses últimos dias. Os moradores do Ayrton Senna ainda continuam retirando seus móveis tentando evitar a perda de pertences. As pessoas que residem no bairro estão ajudando umas as outras, auxiliando na retirada de objetos e móveis usando canoas. As crianças, sem ter muita noção do perigo que correm, brincam e se divertem nas águas sujas que tomaram conta do local.

O vendedor ambulante Márcio de Oliveira Correia, morador do Ayrton Senna, disse que saiu pela manhã no último domingo para casa de um parente. Quando retornou para a residência onde mora, o nível das águas tinha subido mais de um metro, alagando assim parte do quintal de sua casa. “Eu moro há dois anos aqui e nunca tinha enfrentado uma enchente como esta”, afirmou o vendedor.

Márcio começou a retirar ontem mesmo os móveis de sua casa com a ajuda de um amigo que também mora no bairro e em um gesto solidariedade e companheirismo cedeu sua canoa ao vendedor, que temia um novo aumento no nível das águas, já que a previsão é de mais chuvas em todo o Acre. “Já estou indo para a casa do meu sogro, no bairro Santa Maria, e espero não ter que voltar para o bairro Ayrton Senna. Se alagar na casa do meu sogro, alaga a cidade inteira”, enfatizou.

Moradores temem risco de doenças

Já no bairro Taquari, também atingido pela alagação, os moradores temem o risco de doenças, pois as águas que inundaram algumas ruas do bairro estão completamente sujas e poluídas, aumentando os riscos de contaminação, principalmente a leptospirose, uma vez que já foram registrados alguns casos da doença este ano na capital.

A comerciante Maria do Socorro Neves, que reside na rua Lourival Cordeiro, disse estar preocupada com a saúde dos filhos, por isso rapidamente entrou em contato com a equipe da Defesa Civil Municipal e estava aguardando apenas que a equipe de resgate chegasse até o local para que a família pudesse ser retirada.

Prefeito Angelim garante amparo às famílias

O prefeito de Rio Branco, Raimundo Angelim, concedeu entrevista coletiva na manhã de ontem para anunciar as ações de atendimento e auxílio às famílias desabrigadas pelo alagamento do rio Acre. Ele afirmou que a Defesa Civil Municipal está trabalhando em parceria com várias secretarias da cidade em sistema de plantão 24 horas desde o último sábado e garantiu que a prefeitura vai atender todas as famílias em tempo hábil.

Angelim alertou ainda sobre os riscos de contaminação. “É importante que os pais evitem que as crianças tenham contato com as águas contaminadas para diminuir os riscos de doença como a leptospirose. Os adultos também devem se proteger. Nesse momento o perigo é constante. Estamos trabalhando em todos os sentidos, mas a contribuição da população é essencial para o sucesso do nosso trabalho”, enfatizou o prefeito.

“Temos uma boa informação vinda de Brasiléia, de que o nível das águas do rio diminuiu naquele município, porém, nas proximidades do Riozinho do Rola as águas continuam subindo”, informou Angelim.

O prefeito disse também que o município não decretou estado de calamidade e espera que isso não venha a acontecer. “Estamos tomando todas as providências no intuito de acolher as famílias necessitadas”, completou.

Durante todo o dia de ontem, a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros e vários órgãos do município trabalharam fazendo a remoção de famílias que moram nos locais atingidos pela enchente.

Prefeitura abriga famílias vítimas da alagação

Renata Brasileiro

Pelo menos 200 famílias de Rio Branco foram vitimadas pelo transbordamento do rio Acre, que neste fim de semana atingiu a cota mais alta dos últimos dois anos. Do total, 51 estão abrigadas no Ginásio Coberto, outras dezenas em casas de parentes e as demais estão sendo levadas para o Parque de Exposições, cujo local foi preparado na manhã de ontem pela prefeitura de Rio Branco, em razão de o espaço do ginásio ter sido insuficiente para comportar a grande demanda.

Essa é a primeira vez que autoridades públicas recorrem a outro local a fim de abrigar famílias de bairros alagadiços. Segundo a secretária de Assistência Social, Stefânia Pontes, responsável por administrar os alojamentos, os galpões do parque estão sendo adequados ao sistema de boxes para que as famílias tenham o mínimo de conforto e privacidade enquanto suas casas estiverem alagadas.

“A princípio, estamos construindo 100 boxes, mas caso haja necessidade, nossa equipe está preparada para implantar outros 100. Espaço nós temos e nenhuma família necessitada ficará sem abrigo”, ressaltou.

Com a subida repentina das águas do rio, já estão alagados os bairros Seis de Agosto, Ayrton Senna, Taquari, Baixada da Habitasa, Adalberto Aragão e Cadeia Velha.

Shirley de Araújo, 38, conta que em sua casa, no Cadeia Velha, a água chegou a cobrir a geladeira. O eletrodoméstico foi uma das grandes perdas materiais que a dona de casa teve. O guarda-roupa, onde ela guarda os pertences de toda a família - dela, do marido e de três filhos -, também está danificado. “Mas ainda dá para reaproveitar”, comenta ela.

“A minha geladeira eu deixei lá debaixo d’água porque vimos que ela não vai mais funcionar. As outras coisas, mesmo danificadas, trouxemos para cá”, diz.

Shirley está com a família no Ginásio Coberto desde domingo. Para ela, a alagação deste ano está se apresentando tão perigosa quanto a de 1997, quando o rio atingiu sua cota mais alta. “Eu nem esperava que minha casa fosse alagar, pois nos últimos dois anos não fomos atingidos. Quando vi a água chegando no meu assoalho foi que percebi que a situação seria grave.”

Assim como as demais famílias, no Ginásio Coberto a família de Shirley tem acesso a banheiros, cozinha com fogão, uma lavanderia improvisada e até atividades recreativas para as crianças. “Nossa intenção é iniciar atendimentos médicos o mais rápido possível, além de cursinhos de alimentação saudável e alternativa”, complementou a secretária.

Forças unidas

Além da Secretaria Municipal de Assistência Social, outras secretarias e entidades ligadas ao município e ao governo estão unidas na missão de manter a segurança das famílias atingidas pela alagação.

Homens do Corpo de Bombeiros, juntamente com os da Defesa Civil, por exemplo, estão fazendo a remoção das famílias e levando-as para os alojamentos ou casas de parentes.

Durante todo o dia de ontem, equipes estavam atuando nos bairros mais atingidos. O Taquari era um dos que estavam sob os cuidados dos órgãos, em razão de a água de dois igarapés daquela localidade terem represado a água do rio.

Por esse motivo, as casas estavam alagando com mais rapidez e pelo menos 60 famílias aguardavam ajuda com suas casas quase submersas.

“Nem consigo mais entrar na minha casa. A água está batendo no ombro”, disse a dona de casa Maria Gomes da Silva, que não conseguiu retirar a tempo a mobília.

“Estou preocupada. Espero que minha perda não tenha sido muito grande.”

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