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BrGov: Ação da América Latina leva esperança ao devastado Haiti

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Jornal: Reuters
Título: 'Ação da América Latina leva esperança ao devastado Haiti'
Data: 21/09/2005
Crédito: Guido Nejamkis
PORTO PRÍNCIPE, 21 de setembro (Reuters)


Junto a um monte de lixo disputado por um porco e um cão faminto, um cartaz pintado a mão promete para breve uma apresentação em Porto Príncipe da artista uruguaia Natalia Oreiro.

"É sinal de que alguma coisa está melhorando", diz, rindo, o garçom Fritzel, de 30 anos, que ganha 70 dólares por mês em um hotel da capital haitiana.

Atemorizado com os sequestros -- chegaram a ser registrados 17 casos em uma semana na cidade --, Fritznel sonha com um convite que lhe permita viajar aos Estados Unidos ou ao Canadá, deixando o Haiti para sempre.

Mas também espera ansioso pelo 20 de novembro, a data marcada para as eleições gerais e municipais que permitirão aos haitianos escolher um novo presidente e tentar algum caminho que leve o progresso para a nação mais pobre das Américas.

"Já me inscrevi e tenho o documento para votar. O Haiti nunca pôde se organizar sozinho. Os políticos sempre pensaram no próprio bolso. Agora espero que o futuro nos traga algo melhor", disse Fritznel.

Para garantir a realização das eleições, controlar a anarquia reinante e tornar menos penosas as condições de vida de cerca de 8 milhões de haitianos, 6.350 soldados, a maioria latino-americanos, patrulham as ruas da capital e das principais cidades do interior, onde reina o caos.

Muitas ruas, sujas e com centenas de pessoas tentando vender algo na calçada, ainda mantêm nomes como Somoza ou Selassié, homenagem aos ex-ditadores da Nicarágua e da Etiópia feita por outro ex-ditador, o corrupto e brutal François Duvalier, que inventou a instituição do presidencialismo vitalício e hereditário.

Como integrantes da missão de paz da ONU enviada em 2004, os soldados distribuem alimentos, água e roupas e fornecem assistência médico-dentária nos bairros mais pobres e perigosos de Porto Príncipe, como Bel-Air.

Com patrulhas nas ruas, controles nos acessos às cidades, confisco de armas e ajuda social, a missão conseguiu desarticular grupos de delinquentes e melhorar a segurança, segundo relatos de militares ratificados por moradores da capital.

"Há três meses isso aqui era o inferno. Agora está mais tranquilo", disse Ronny, de 28 anos, que se considera um privilegiado por ter um emprego, mesmo mal pago, pois 70 por cento dos seus compatriotas não têm essa sorte.

"Tendo em conta o que o Haiti já viveu, a maior parte do país hoje se encontra calma. Estamos avançando bastante em Bel-Air", afirmou o general brasileiro Urano Bacellar, novo comandante da missão da ONU, a jornalistas.

Bacellar recebeu nesta semana o chanceler Celso Amorim em Porto Príncipe, a quem informou sobre as melhorias nas condições de segurança.

Amorim também se reuniu com o primeiro-ministro haitiano, Gérard Latortue, e com uma dezena de políticos, inclusive vários candidatos à Presidência.

Segundo sua avaliação, a presença internacional e o diálogo ainda incipiente entre os partidos para facilitar o complexo processo eleitoral, no qual 54 candidatos disputam a Presidência, põem o Haiti diante de uma possibilidade inédita: ter um governo democrático e estabilidade política, além de apoio internacional.

O Haiti, segundo Amorim, "passou dos anos da ditadura pessoal de Duvalier, dinástica, para outra ditadura, dos militares, e depois para uma ditadura populista, apesar de ser eleita. Quem sabe agora passemos a um governo democrático. Essa é a expectativa e a esperança que temos".

PATRULHAS, FUTEBOL E MISÉRIA

Os soldados latino-americanos da Minustah (Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti) já conseguiram disputar jogos de futebol com adolescentes sem-teto de Bel-Air, onde também há um hospital instalado pelo contingente argentino.

"Um dos objetivos é aproximar as forças da Minustah da população. A ajuda social contribui muito para a relação", disse Bacellar.

O general argentino Eduardo Lugani, subcomandante da força da ONU, salienta porém que "a magnitude do problema social gera espaço para atividades ilícitas".

Mas graças a blitze, patrulhas e à presença armada da força internacional durante 24 horas por dia, foram desarticulados muitos grupos de delinqüentes, disse o militar.

Amorim disse na noite de quarta-feira, no avião que o levou de volta a Brasília, que a presença latino-americana foi essencial para reduzir a violência no Haiti. "Os haitianos consideram que a presença latino-americana é diferente. Pela atitude que busca conciliar, conversar, relacionar-se. É uma atitude de convivência".

ESPERANÇA ELEITORAL

A eleição de novembro, segundo diplomatas influentes em Porto Príncipe, permitirá que os candidatos meçam suas forças para então formar alianças no segundo turno.

O registro de eleitores, num país onde se estima que 80 por cento da população nunca foi inscrita, já entregou documentos a 2,3 milhões de pessoas. O número final pode chegar a 4 milhões de eleitores.

O novo presidente deve tomar posse em 7 de fevereiro. Enquanto isso, conforme o pleito se aproxima, cresce a esperança no país, ainda que sua triste história ensine os haitianos a não alimentarem grandes ilusões.

"A população está agradecida pela ajuda que vem de fora. Estamos melhores. Mas não se pode saber se a violência surgirá de novo. Este é um país imprevisível", disse Amos Charles, jornalista da rádio local Métropole.

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  • Yahoo: Two U.N. Peacekeepers Killed in Haiti
  • BBC: New peacekeeping head for Haiti
  • Gwynne Dyer: Haiti - No Easy Way Out
  • Spiegel: Iran "Is Making Lunacy Official Policy"
  • Nation: Disaster response shameful
  • NYT: Fear and Death Ensnare U.N.'s Soldiers in Haiti
  • Washington Post: Marcela Sanches - Evo's Fashion S...
  • Washington Post: In Bolivia, a $100 Million Question
  • NYT: Daniel Okrent, The War of the Words