Ônibus 174, Ônibus 499
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10/11/06, Terra, Homem mantém reféns dentro de ônibus na via Dutra, (Source).
11/11/06, JB, Um dia de horror, (Source).
11/11/06. JB, Casamento marcado pela violência, (Source).
11/11/06, JB, Pastor estava em rebelião de Benfica, (Source).
11/11/06, JB, Ciúme leva a ato extremo, (Source).
11/11/06, JB, Drama de ex-mulher comoveu passageiros e os manteve no ônibus, (Source).
10/11/06, Terra, Homem mantém reféns dentro de ônibus na via Dutra, (Back).
Sexta, 10 de novembro de 2006, 09h33 Atualizada às 15h57
[foto, Agência Estado, Carros da polícia cercam o ônibus na via Dutra, na região do município de Nova Iguaçu.]
A polícia negocia com um homem armado que mantém reféns, entre eles a ex-mulher, dentro de um ônibus na rodovia Presidente Dutra, no Rio de Janeiro. A operação policial ocorre na altura de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. Pelo menos 40 pessoas estavam dentro do ônibus. Pela manhã, foram liberadas 21 pessoas. Nesta tarde, outros 15 homens, pois as mulheres saíram na primeira leva, só ficou a ex-mulher do seqüestrador. Não é possível saber o número de pessoas que permanecem no veículo, pois as cortinas estão fechadas. A pista sentido Rio foi parcialmente interditada, mas já está liberada. O homem, identificado como André Luís Ribeiro da Silva, se diz traído pela ex-mulher, Cristina Ribeiro, e inconformado com a separação.
Durante as negociações, o seqüestrador disse que se entregaria se a polícia mantivesse sua identidade em sigilo e assegurasse sua integridade física. Ele também teria pedido água e dito que estava muito cansado. As autoridades querem trocar este pedido pela libertação de mais reféns.
Os agentes levaram parentes do seqüestrador para o local para tentar convencê-lo a libertar a ex-mulher. A irmã conseguiu conversar com ele durante um tempo. Já a mãe, acabou passando mal e teve de ser levada para uma ambulância. Segundo a irmã do seqüestrador, ele está muito cansado e com sede.
O pastor Marcos Pereira da Silva, da Igreja Assembléia de Deus, também participa das negociações, ao lado do ex-pagodeiro Wagner Dias Bastos, o Waguinho.
Segundo o cunhado do seqüestrador, ele já tinha tentado suicídio. Ele ficou um mês longe do Rio de Janeiro, mas retornou com o intuito de reatar o casamento.
O cobrador do ônibus, que serve de interlocutor, afirmou que o homem tem o objetivo de manter apenas a ex-mulher dentro veículo. Ele teria dito que não iria se entregar com vida. As primeiras informações eram de que o cobrador já havia sido libertado, porém, de acordo com o inspetor da Polícia Rodoviária Federal, Rossano de Oliveira, ele ainda está no veículo.
Pelo menos dez viaturas tanto da Polícia Militar quanto da Polícia Rodoviária Federal estão no local. O local estpa isolado. A polícia não confirmou a informação de que o homem teria assaltado um posto de gasolina e, na fuga, feito a mulher refém.
Segundo o inspetor Oliveira, o ônibus seguia pela via Dutra quando o passageiro Paulo Roberto Melo André ligou de um celular para a mulher contando que um homem armado havia entrado no ônibus em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e pediu que ela acionasse a polícia. O veículo, da Viação Tinguá, que faz a linha Cabuçú-Central do Brasil, foi interceptado na altura da Fábrica Grã-Fino, por volta das 8h. A perseguição ocorreu por cerca de cinco quilômetros.
O ônibus já foi retirado da rodovia e levado para o acostamento, para que o trânsito pudesse ser liberado. O tráfego é lento na região, tanto no sentido Rio quanto em direção a São Paulo. Devido à curiosidade, muitos motoristas diminuem a velocidade no local.
Ônibus 174
Um caso semelhante ocorreu em 12 de junho de 2000, quando um ônibus foi seqüestrado no bairro do Jardim Botânico, na zona sul da capital fluminense. No caso, que ficou conhecido como o do Ônibus 174, uma das reféns e o bandido foram mortos. Após esse caso, a polícia realizou vários treinamentos com policiais especializados para evitar desfechos semelhantes.
Sandro Barbosa do Nascimento manteve pelo menos dez reféns sob a mira de um revolver. Um policial, de forma precipitada, tentou acertar o criminoso e atirou à queima roupa na cabeça da refém Geísa Firmo Gonçalves, 20 anos, que morreu na hora. Ela também acabou levando outros tiros disparados pelo criminoso. Sandro foi mobilizado pela polícia, colocado na viatura e morto a caminho da delegacia.
11/11/06, JB, Um dia de horror, (Back).
SEQÜESTRO DO ÔNIBUS 499 - Ex-marido enciumado mantém reféns por mais de dez horas
Por um instante, o pesadelo havia voltado: quem ligou a televisão pela manhã viu em todas as emissoras que André Luiz Ribeiro da Silva, de 35 anos, mantinha a ex-mulher e diversos passageiros como reféns sob a mira de um revólver 38, dentro ônibus da linha 499 (Cabuçu-Central do Brasil) . As lembranças da longa agonia do ônibus 174, em 12 de junho de 2000, vieram à tona. Desta vez, no entanto, as ações da polícia foram mais harmonizadas, e a negociação entre os policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), os policiais rodoviários federais e o seqüestrador do ônibus terminaram sem nenhum ferido.
Se a ação corretiva da PM foi eficiente, o mesmo não se pode dizer da ação preventiva: André tinha três registros na Delegacia de Atendimento a Mulher (Deam) de Nova Iguaçu, um deles por cárcere privado contra a ex-mulher, Cristina Ribeiro da Silva, sua vítima em potencial de ontem. Cristina registrou queixa contra André por este ter mantido-a presa em um motel.
Indiferentes à folha corrida de André, os policiais do Bope negociavam a rendição do seqüestrador. As táticas eram diversas. Em primeiro lugar, isolaram a área e tomaram controle de toda a região. Em seguida, dois negociadores, formados em Gerenciamento de Crise, foram destacados para o diálogo. A idéia era não irritar o seqüestrador nem mesmo assustá-lo.
Em seguida, com informações da empresa de ônibus Tinguá, o ar-condicionado do veículo foi completamente desligado. Era parte da estratégia de cansar André. Nem sempre eficiente, diante de um homem desequilibrado, enciumado, que alternava momentos de ódio com auto-piedade, a ponto de querer se matar "por vergonha", como chegou a dizer.
- Ele ficava repetindo que queria matar a mulher na frente das câmeras e dos repórteres - disse o passageiro Antonio da Rocha, de 32 anos.
Às 18h25, os policiais do Bope invadiram o ônibus por um lado enquanto os negociadores dialogavam com André pelo outro. Os passageiros que restavam começaram a fugir pelas janelas enquanto André era levado calmamente para fora do ônibus pelos policiais.
11/11/06. JB, Casamento marcado pela violência, (Back).
A façanha de André Luiz Ribeiro da Silva, o seqüestrador do ônibus 499, superou qualquer tragédia sobre ciúmes escrita pelo dramaturgo Nelson Rodrigues. Ontem, em plena Via Dutra, André Luiz escreveu o último ato como protagonista de uma história marcada por violência doméstica, cenas de constrangimento e falta de respeito. Sua mulher e prima, Cristina Ribeiro da Silva, desceu do ônibus com escoriações no corpo e uma certeza: ganhou a alforria depois de 10 horas e meia sob a mira de um revólver calibre 38.
Casados há 10 anos, o casal tem três filhos. Os meninos de 4 a 8 anos também conquistaram a liberdade ontem. Segundo parentes de Cristina, as crianças eram vítimas do desequilíbrio do pai. Na Delegacia de Atendimento à Mulher, André Luiz responde a três processos, um deles por ter mantido Cristina em cárcere privado em um motel. Para aumentar ainda mais o desprazer, os filhos acompanharam a tragédia de perto: ficaram no Habib´s, a menos de 30 metros do seqüestro.
Conhecido em Austin, distrito de Nova Iguaçu, como "garimpeiro" - trocava bichinhos de pelúcia por objetos de ouro -, André Luiz seguia os passos de Cristina como um lobo atrás de sua presa, desde que foi obrigado a sair de casa, há seis meses. Dentro do ônibus 499, André confidenciou aos passageiros:
- Sou trabalhador. Ela me traiu, desgraçou a minha vida. Hoje, moro de aluguel.
Segundo os passageiros, André Luiz estava desnorteado. Pedia desculpas pelo transtorno ao mesmo tempo que mantinha o revólver apontado para a cabeça de Cristina. Assim foi até a última cena do espetáculo na Via Dutra, quando André Luiz se rendeu sob os olhares estarrecidos de seus filhos.
11/11/06, JB, Pastor estava em rebelião de Benfica, (Back).
A presença do pastor Marcos Pereira da Silva, da Igreja Assembléia de Deus dos Últimos Dias, causou constrangimento entre os policiais civis e militares que negociavam a rendição de André Luiz Ribeiro da Silva, seqüestrador do ônibus 499 (Central-Cabuçu). Em maio de 2004, por exigência de presos amotinados, o religioso negociou diretamente o fim da rebelião de 60 horas na Casa de Custódia de Benfica. Falante e carismático, o pastor garante que se dedica há 15 anos a um trabalho assistencial em carceragens de delegacias e presídios do Rio.
- Orgulho-me de ter acesso a locais onde o policial não entra - declarou o pastorl. - Meu sonho é construir um centro de auxílio a ex-criminosos.
Para a construção não faltam apoios. Entre os fiéis, duas irmãs do traficante Márcio Nepomuceno dos Santos, o Marcinho VP, do Complexo do Alemão, preso no Complexo de Bangu. Na rebelião na Casa de Custódia de Benfica, em 2004, o pastor e as irmãs do traficante - de vestidos longos até os pés e cabelos compridos até a cintura - desceram de helicóptero no interior do presídio em companhia dos coronéis da Polícia Militar, Francisco D'Ambrósio e José Oliveira Penteado, por ordem do governo do Estado. A cena revoltou os negociadores da polícia, e levou deputados federais da Comissão Externa da Câmara a requerer ao procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, a apuração do crime de responsabilidade do governo.
As mulheres seguidoras da seita têm nome, mas são chamadas de varoas (feminino de varão; mulher forte, segundo o Dicionário Aurélio). Não podem usar nada que provoque a cobiça do sexo oposto, e são obrigadas a vestir um roupão largo, mostrando apenas mãos e pés. Também não podem cortar o cabelo. Não podem sair sem comunicar ao pastor, tampouco desobedecer os maridos. Ninguém pode ler jornais, assistir à TV nem ouvir rádio. Só podem ler a Bíblia.
Os membros que moram na igreja, em São João de Meriti, abandonaram as famílias e vivem exclusivamente para a religião. À noite, quase todos dormem no terraço da igreja, em colchonetes e esteiras de palha. Para não despertar a inveja, renunciaram aos bens materiais. As proibições, que os adeptos chamam de dogmas, têm explicação com interpretações bíblicas. A seita é vista com reservas por outras igrejas evangélicas. Apesar de polêmico, o trabalho já foi elogiado por Benedita da Silva, ex-governadora do Estado, que incluiu a igreja do pastor no programa Fome Zero.
- Seu trabalho é espetacular, acalma a cadeia - reconheceu o ex-subsecretário estadual de Segurança, Paulo Souto.
Na igreja, os namoros são permitidos, mas os casais não podem sequer tocar as mãos enquanto forem solteiros. O rebanho do pastor cresce: a sede fica em Éden, São João de Meriti, e a seita tem templos no Paraná e até na Itália.
11/11/06, JB, Ciúme leva a ato extremo, (Back).
Baixa auto-estima e, como conseqüência, ciúme. Segundo o psiquiatra Luiz Alberto Py, foram esses dois sentimentos, tão comuns, que levaram André Ribeiro a ameaçar a ex-mulher com uma arma e manter dezenas de reféns em um ônibus. A diferença é o grau a que a violência chegou:
- Esse tipo de comportamento é comum, mas não nessa intensidade. Aquele homem chegou ao extremo.
Py explica que André, de um egocentrismo absoluto, acha que é a pessoa mais importante do mundo e, quando a mulher foi embora, sentiu-se desvalorizado. Quis, então, mostrar mostrar como é poderoso e, na falta de outros recursos, quis impor sua vontade pela violência.
- Ele vinha em um crescendo de agressões, tanto que a ex-mulher já havia prestado queixa. Até chegar à violência potencializada - diz Py.
De acordo com o psiquiatra, o egoísmo de André o levou a um comportamento psicopático:
- Ele sabia o que estava fazendo todo o tempo, diferente do que aconteceria no caso de um surto psicótico, quando a pessoa perde a consciência da realidade.
11/11/06, JB, Drama de ex-mulher comoveu passageiros e os manteve no ônibus, (Back).
Durante as horas em que ficaram em poder de André Luiz Ribeiro da Silva, os passageiros do ônibus 499 testemunharam uma lavagem de roupa suja entre o seqüestrador e sua ex-mulher, Cristina da Silva. As vítimas disseram que em momento algum foram ameaçadas por André, mas temiam assistir à execução de Cristina. Mesmo liberados pelo seqüestrador, alguns passageiros se comoveram com o drama da mulher e decidiram permanecer no ônibus para tentar convencer Luiz a se entregar.
- O André deixou a gente sair às 14h, mas queríamos convencê-lo a não matar a mulher nem se matar - contou o passageiro Ângelo dos Santos, 26 anos, que deixou o coletivo pouco depois das 16h. - O André contou no ônibus que a mulher tentou incriminá-lo uma vez, quando simulou um estupro em um motel e depois chamou a polícia.
Com muita raiva da ex-mulher, André a agrediu inúmeras vezes durante o seqüestro, deixando desesperadas as mulheres que estavam no ônibus. A técnica de enfermagem Cleoni Neto Costa, 39 anos, ficou com pressão alta devido à tensão.
- Ele queria se vingar dela. Ninguém sabia a que ponto ele chegaria. Se tivesse sido um assalto teria ficado mais calma - disse Cleoni.
O motorista de ônibus e pastor evangélico Henoir Dias Santos, 46 anos, contou que André repetiu inúmeras vezes que mataria a mulher e depois cometeria suicídio:
- Ele batia muito na mulher e a xingava de traidora e safada. Tive medo de ele atirar nela e sobrar algum tiro em mim.
Depois que o motorista do ônibus deixou o veículo, Doady Alves tomou o volante e dirigiu até o momento em que a polícia interceptou o coletivo.
(Back)
11/11/06, JB, Um dia de horror, (Source).
11/11/06. JB, Casamento marcado pela violência, (Source).
11/11/06, JB, Pastor estava em rebelião de Benfica, (Source).
11/11/06, JB, Ciúme leva a ato extremo, (Source).
11/11/06, JB, Drama de ex-mulher comoveu passageiros e os manteve no ônibus, (Source).
10/11/06, Terra, Homem mantém reféns dentro de ônibus na via Dutra, (Back).
Sexta, 10 de novembro de 2006, 09h33 Atualizada às 15h57
[foto, Agência Estado, Carros da polícia cercam o ônibus na via Dutra, na região do município de Nova Iguaçu.]
A polícia negocia com um homem armado que mantém reféns, entre eles a ex-mulher, dentro de um ônibus na rodovia Presidente Dutra, no Rio de Janeiro. A operação policial ocorre na altura de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. Pelo menos 40 pessoas estavam dentro do ônibus. Pela manhã, foram liberadas 21 pessoas. Nesta tarde, outros 15 homens, pois as mulheres saíram na primeira leva, só ficou a ex-mulher do seqüestrador. Não é possível saber o número de pessoas que permanecem no veículo, pois as cortinas estão fechadas. A pista sentido Rio foi parcialmente interditada, mas já está liberada. O homem, identificado como André Luís Ribeiro da Silva, se diz traído pela ex-mulher, Cristina Ribeiro, e inconformado com a separação.
Durante as negociações, o seqüestrador disse que se entregaria se a polícia mantivesse sua identidade em sigilo e assegurasse sua integridade física. Ele também teria pedido água e dito que estava muito cansado. As autoridades querem trocar este pedido pela libertação de mais reféns.
Os agentes levaram parentes do seqüestrador para o local para tentar convencê-lo a libertar a ex-mulher. A irmã conseguiu conversar com ele durante um tempo. Já a mãe, acabou passando mal e teve de ser levada para uma ambulância. Segundo a irmã do seqüestrador, ele está muito cansado e com sede.
O pastor Marcos Pereira da Silva, da Igreja Assembléia de Deus, também participa das negociações, ao lado do ex-pagodeiro Wagner Dias Bastos, o Waguinho.
Segundo o cunhado do seqüestrador, ele já tinha tentado suicídio. Ele ficou um mês longe do Rio de Janeiro, mas retornou com o intuito de reatar o casamento.
O cobrador do ônibus, que serve de interlocutor, afirmou que o homem tem o objetivo de manter apenas a ex-mulher dentro veículo. Ele teria dito que não iria se entregar com vida. As primeiras informações eram de que o cobrador já havia sido libertado, porém, de acordo com o inspetor da Polícia Rodoviária Federal, Rossano de Oliveira, ele ainda está no veículo.
Pelo menos dez viaturas tanto da Polícia Militar quanto da Polícia Rodoviária Federal estão no local. O local estpa isolado. A polícia não confirmou a informação de que o homem teria assaltado um posto de gasolina e, na fuga, feito a mulher refém.
Segundo o inspetor Oliveira, o ônibus seguia pela via Dutra quando o passageiro Paulo Roberto Melo André ligou de um celular para a mulher contando que um homem armado havia entrado no ônibus em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e pediu que ela acionasse a polícia. O veículo, da Viação Tinguá, que faz a linha Cabuçú-Central do Brasil, foi interceptado na altura da Fábrica Grã-Fino, por volta das 8h. A perseguição ocorreu por cerca de cinco quilômetros.
O ônibus já foi retirado da rodovia e levado para o acostamento, para que o trânsito pudesse ser liberado. O tráfego é lento na região, tanto no sentido Rio quanto em direção a São Paulo. Devido à curiosidade, muitos motoristas diminuem a velocidade no local.
Ônibus 174
Um caso semelhante ocorreu em 12 de junho de 2000, quando um ônibus foi seqüestrado no bairro do Jardim Botânico, na zona sul da capital fluminense. No caso, que ficou conhecido como o do Ônibus 174, uma das reféns e o bandido foram mortos. Após esse caso, a polícia realizou vários treinamentos com policiais especializados para evitar desfechos semelhantes.
Sandro Barbosa do Nascimento manteve pelo menos dez reféns sob a mira de um revolver. Um policial, de forma precipitada, tentou acertar o criminoso e atirou à queima roupa na cabeça da refém Geísa Firmo Gonçalves, 20 anos, que morreu na hora. Ela também acabou levando outros tiros disparados pelo criminoso. Sandro foi mobilizado pela polícia, colocado na viatura e morto a caminho da delegacia.
11/11/06, JB, Um dia de horror, (Back).
SEQÜESTRO DO ÔNIBUS 499 - Ex-marido enciumado mantém reféns por mais de dez horas
Por um instante, o pesadelo havia voltado: quem ligou a televisão pela manhã viu em todas as emissoras que André Luiz Ribeiro da Silva, de 35 anos, mantinha a ex-mulher e diversos passageiros como reféns sob a mira de um revólver 38, dentro ônibus da linha 499 (Cabuçu-Central do Brasil) . As lembranças da longa agonia do ônibus 174, em 12 de junho de 2000, vieram à tona. Desta vez, no entanto, as ações da polícia foram mais harmonizadas, e a negociação entre os policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), os policiais rodoviários federais e o seqüestrador do ônibus terminaram sem nenhum ferido.
Se a ação corretiva da PM foi eficiente, o mesmo não se pode dizer da ação preventiva: André tinha três registros na Delegacia de Atendimento a Mulher (Deam) de Nova Iguaçu, um deles por cárcere privado contra a ex-mulher, Cristina Ribeiro da Silva, sua vítima em potencial de ontem. Cristina registrou queixa contra André por este ter mantido-a presa em um motel.
Indiferentes à folha corrida de André, os policiais do Bope negociavam a rendição do seqüestrador. As táticas eram diversas. Em primeiro lugar, isolaram a área e tomaram controle de toda a região. Em seguida, dois negociadores, formados em Gerenciamento de Crise, foram destacados para o diálogo. A idéia era não irritar o seqüestrador nem mesmo assustá-lo.
Em seguida, com informações da empresa de ônibus Tinguá, o ar-condicionado do veículo foi completamente desligado. Era parte da estratégia de cansar André. Nem sempre eficiente, diante de um homem desequilibrado, enciumado, que alternava momentos de ódio com auto-piedade, a ponto de querer se matar "por vergonha", como chegou a dizer.
- Ele ficava repetindo que queria matar a mulher na frente das câmeras e dos repórteres - disse o passageiro Antonio da Rocha, de 32 anos.
Às 18h25, os policiais do Bope invadiram o ônibus por um lado enquanto os negociadores dialogavam com André pelo outro. Os passageiros que restavam começaram a fugir pelas janelas enquanto André era levado calmamente para fora do ônibus pelos policiais.
11/11/06. JB, Casamento marcado pela violência, (Back).
A façanha de André Luiz Ribeiro da Silva, o seqüestrador do ônibus 499, superou qualquer tragédia sobre ciúmes escrita pelo dramaturgo Nelson Rodrigues. Ontem, em plena Via Dutra, André Luiz escreveu o último ato como protagonista de uma história marcada por violência doméstica, cenas de constrangimento e falta de respeito. Sua mulher e prima, Cristina Ribeiro da Silva, desceu do ônibus com escoriações no corpo e uma certeza: ganhou a alforria depois de 10 horas e meia sob a mira de um revólver calibre 38.
Casados há 10 anos, o casal tem três filhos. Os meninos de 4 a 8 anos também conquistaram a liberdade ontem. Segundo parentes de Cristina, as crianças eram vítimas do desequilíbrio do pai. Na Delegacia de Atendimento à Mulher, André Luiz responde a três processos, um deles por ter mantido Cristina em cárcere privado em um motel. Para aumentar ainda mais o desprazer, os filhos acompanharam a tragédia de perto: ficaram no Habib´s, a menos de 30 metros do seqüestro.
Conhecido em Austin, distrito de Nova Iguaçu, como "garimpeiro" - trocava bichinhos de pelúcia por objetos de ouro -, André Luiz seguia os passos de Cristina como um lobo atrás de sua presa, desde que foi obrigado a sair de casa, há seis meses. Dentro do ônibus 499, André confidenciou aos passageiros:
- Sou trabalhador. Ela me traiu, desgraçou a minha vida. Hoje, moro de aluguel.
Segundo os passageiros, André Luiz estava desnorteado. Pedia desculpas pelo transtorno ao mesmo tempo que mantinha o revólver apontado para a cabeça de Cristina. Assim foi até a última cena do espetáculo na Via Dutra, quando André Luiz se rendeu sob os olhares estarrecidos de seus filhos.
11/11/06, JB, Pastor estava em rebelião de Benfica, (Back).
A presença do pastor Marcos Pereira da Silva, da Igreja Assembléia de Deus dos Últimos Dias, causou constrangimento entre os policiais civis e militares que negociavam a rendição de André Luiz Ribeiro da Silva, seqüestrador do ônibus 499 (Central-Cabuçu). Em maio de 2004, por exigência de presos amotinados, o religioso negociou diretamente o fim da rebelião de 60 horas na Casa de Custódia de Benfica. Falante e carismático, o pastor garante que se dedica há 15 anos a um trabalho assistencial em carceragens de delegacias e presídios do Rio.
- Orgulho-me de ter acesso a locais onde o policial não entra - declarou o pastorl. - Meu sonho é construir um centro de auxílio a ex-criminosos.
Para a construção não faltam apoios. Entre os fiéis, duas irmãs do traficante Márcio Nepomuceno dos Santos, o Marcinho VP, do Complexo do Alemão, preso no Complexo de Bangu. Na rebelião na Casa de Custódia de Benfica, em 2004, o pastor e as irmãs do traficante - de vestidos longos até os pés e cabelos compridos até a cintura - desceram de helicóptero no interior do presídio em companhia dos coronéis da Polícia Militar, Francisco D'Ambrósio e José Oliveira Penteado, por ordem do governo do Estado. A cena revoltou os negociadores da polícia, e levou deputados federais da Comissão Externa da Câmara a requerer ao procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, a apuração do crime de responsabilidade do governo.
As mulheres seguidoras da seita têm nome, mas são chamadas de varoas (feminino de varão; mulher forte, segundo o Dicionário Aurélio). Não podem usar nada que provoque a cobiça do sexo oposto, e são obrigadas a vestir um roupão largo, mostrando apenas mãos e pés. Também não podem cortar o cabelo. Não podem sair sem comunicar ao pastor, tampouco desobedecer os maridos. Ninguém pode ler jornais, assistir à TV nem ouvir rádio. Só podem ler a Bíblia.
Os membros que moram na igreja, em São João de Meriti, abandonaram as famílias e vivem exclusivamente para a religião. À noite, quase todos dormem no terraço da igreja, em colchonetes e esteiras de palha. Para não despertar a inveja, renunciaram aos bens materiais. As proibições, que os adeptos chamam de dogmas, têm explicação com interpretações bíblicas. A seita é vista com reservas por outras igrejas evangélicas. Apesar de polêmico, o trabalho já foi elogiado por Benedita da Silva, ex-governadora do Estado, que incluiu a igreja do pastor no programa Fome Zero.
- Seu trabalho é espetacular, acalma a cadeia - reconheceu o ex-subsecretário estadual de Segurança, Paulo Souto.
Na igreja, os namoros são permitidos, mas os casais não podem sequer tocar as mãos enquanto forem solteiros. O rebanho do pastor cresce: a sede fica em Éden, São João de Meriti, e a seita tem templos no Paraná e até na Itália.
11/11/06, JB, Ciúme leva a ato extremo, (Back).
Baixa auto-estima e, como conseqüência, ciúme. Segundo o psiquiatra Luiz Alberto Py, foram esses dois sentimentos, tão comuns, que levaram André Ribeiro a ameaçar a ex-mulher com uma arma e manter dezenas de reféns em um ônibus. A diferença é o grau a que a violência chegou:
- Esse tipo de comportamento é comum, mas não nessa intensidade. Aquele homem chegou ao extremo.
Py explica que André, de um egocentrismo absoluto, acha que é a pessoa mais importante do mundo e, quando a mulher foi embora, sentiu-se desvalorizado. Quis, então, mostrar mostrar como é poderoso e, na falta de outros recursos, quis impor sua vontade pela violência.
- Ele vinha em um crescendo de agressões, tanto que a ex-mulher já havia prestado queixa. Até chegar à violência potencializada - diz Py.
De acordo com o psiquiatra, o egoísmo de André o levou a um comportamento psicopático:
- Ele sabia o que estava fazendo todo o tempo, diferente do que aconteceria no caso de um surto psicótico, quando a pessoa perde a consciência da realidade.
11/11/06, JB, Drama de ex-mulher comoveu passageiros e os manteve no ônibus, (Back).
Durante as horas em que ficaram em poder de André Luiz Ribeiro da Silva, os passageiros do ônibus 499 testemunharam uma lavagem de roupa suja entre o seqüestrador e sua ex-mulher, Cristina da Silva. As vítimas disseram que em momento algum foram ameaçadas por André, mas temiam assistir à execução de Cristina. Mesmo liberados pelo seqüestrador, alguns passageiros se comoveram com o drama da mulher e decidiram permanecer no ônibus para tentar convencer Luiz a se entregar.
- O André deixou a gente sair às 14h, mas queríamos convencê-lo a não matar a mulher nem se matar - contou o passageiro Ângelo dos Santos, 26 anos, que deixou o coletivo pouco depois das 16h. - O André contou no ônibus que a mulher tentou incriminá-lo uma vez, quando simulou um estupro em um motel e depois chamou a polícia.
Com muita raiva da ex-mulher, André a agrediu inúmeras vezes durante o seqüestro, deixando desesperadas as mulheres que estavam no ônibus. A técnica de enfermagem Cleoni Neto Costa, 39 anos, ficou com pressão alta devido à tensão.
- Ele queria se vingar dela. Ninguém sabia a que ponto ele chegaria. Se tivesse sido um assalto teria ficado mais calma - disse Cleoni.
O motorista de ônibus e pastor evangélico Henoir Dias Santos, 46 anos, contou que André repetiu inúmeras vezes que mataria a mulher e depois cometeria suicídio:
- Ele batia muito na mulher e a xingava de traidora e safada. Tive medo de ele atirar nela e sobrar algum tiro em mim.
Depois que o motorista do ônibus deixou o veículo, Doady Alves tomou o volante e dirigiu até o momento em que a polícia interceptou o coletivo.
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