Amazonia CNBB
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23/02/07, Papa pede atenção para a Amazônia, (Source).
22/02/07, Campanha da Fraternidade recebe críticas, (Source).
22/02/07, Rogério Rocco, Sustentabilidade e soberania na Amazônia, (Source).
22/02/07, Sócio-ambientalismo, (Source).
22/02/07, Maurício Savarese, Igreja mira Amazônia para acertar governos e globalização, (Source).
22/02/07, Amazônia: ministra rebate críticas da CNBB, (Source).
21/02/07, Amazônia é tema da Campanha da Fraternidade 2007., (Source).
23/02/07, Papa pede atenção para a Amazônia, (Back).
Brasília. O papa Bento XVI pediu às autoridades e à Igreja do Brasil que dediquem atenção especial à preservação da Floresta Amazônica, em uma mensagem divulgada ontem pelo Vaticano. A Amazônia é o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, promovida pela Igreja Católica e algumas agremiações evangélicas do Brasil.
Na mensagem, Bento XVI, que vem ao Brasil em maio, diz desejar que "as diversas instâncias da sociedade civil sejam cada vez mais sensíveis à questão amazônica, no respeito das exigências éticas da Justiça e do respeito à vida".
O pontífice observa que "a iniciativa se insere no marco mais amplo da defesa do meio ambiente, porque esse vasto território constitui um patrimônio comum, que por sua realidade humana sócio-política, econômica e ambiental, requer uma atenção especial por parte da Igreja e da sociedade brasileiras".
Segundo o papa, a Igreja tem que fomentar um processo de ampla evangelização, que estimule a missão e as condições favoráveis para o descobrimento e o crescimento da fé de toda a população amazônica.
A campanha acabou gerando crise entre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o governo. No discurso de lançamento da campanha, quarta-feira, no Pará, o secretário-geral da CNBB, dom Odilo Pedro Scherer, disse que na Amazônia as ações do governo Lula são "ineficientes ou ausentes".
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, presente na abertura do evento, não gostou do tom do discurso. Mas só ontem defendeu-se das críticas do bispo. Disse que dom Odilo não dispõe de dados atualizados. Marina disse também que os autores da cartilha da campanha não sabem, por exemplo, que houve queda de 52% no desmatamento da região desde 2004.
E lembrou que, há quatro anos, o governo criou um sistema de detecção do desmatamento em tempo real, o que permite antepor-se a ações predatórias.
- Acho que dom Odilo se refere ao processo histórico de como as coisas aconteciam - rebateu Marina. - Temos que permanecer com esse trabalho, mas, só para se ter uma idéia, evitamos a derrubada de 1 bilhão de árvores, a morte de 40 milhões de aves e 1 milhão de primatas. Evitamos que fossem lançados na atmosfera 430 milhões de toneladas de CO2.
O texto-base da campanha foi alvo até de críticas de nove organizações católicas. A principal crítica é o fato de a Campanha da Fraternidade ser patrocinada pela Companhia Vale do Rio Doce, "uma das principais responsáveis pela destruição ambiental e por conflitos com populações tradicionais da Amazônia".
22/02/07, Campanha da Fraternidade recebe críticas, (Back).
Brasília. Nove pastorais sociais e organismos ligados à Igreja Católica divulgaram manifesto criticando a programação do lançamento da Campanha da Fraternidade 2007, que ocorreu ontem, em Belém.
As organizações argumentam que existe uma contradição "entre o discurso do texto-base da campanha" - que destaca a reflexão sobre as comunidades tradicionais da Amazônia - e a forma como o evento foi programado.
Segundo o manifesto lançado pelas entidades católicas, "o mais grave" é que o lançamento seja patrocinado pela Companhia Vale do Rio Doce, "uma das principais responsáveis pela destruição ambiental e por conflitos com as populações tradicionais da Amazônia".
"A imprensa nacional noticiou nos últimos meses as ações dos índios Xicrin contra a Vale", diz o manifesto. segundo o documento, a empresa cortou todos os repasses de recursos contratados com os indígenas, só voltando a efetuá-los por decisão judicial.
O tema deste ano é Fraternidade e Amazônia. Pela primeira vez o lançamento da Campanha da Fraternidade não é realizado em Brasília. A CNBB escolheu a cidade de Belém porque o Pará, segundo um estudo do IBGE é o Estado que tem o maior índice de desmatamento.
Segundo o presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil, Carlos Francisco Signorelli, as entidades católicas não participaram do lançamento da campanha de 2007.
- Diante disto, decidimos não participar do evento que lançou a campanha, como protesto pela forma como foi organizado, sobretudo pela ausência do povo, principal sujeito da Campanha da Fraternidade".
Apesar das críticas, as entidades não são contra a Campanha da Fraternidade Segundo o manifesto, a campanha é um "gesto profético" da Igreja no Brasil que ajuda os cristãos e toda a sociedade a refletirem sobre temas da maior relevância social.
Para Signorelli, a Campanha da Fraternidade é fundamental e as entidades contribuem muito para a difusão do evento por todo país.
- Achamos que houve falta de sintonia entre a campanha e a forma de lançamento, pois ela prega que os povos da Amazônia têm muito a dizer pela sua simplicidade.
Assinam o manifesto das entidades acatólicas a Articulação Nacional da Pastoral da Mulher Marginalizada, a Comissão Dominicana de Justiça e Paz, a Pastoral da Terra, o Conselho Nacional do Laicato, o Grito dos Excluídos, o Grito dos Excluídos/Continental, Pastoral da Juventude Rural (PJR), a Pastoral do Menor e Pastoral dos Migrantes.
22/02/07, Rogério Rocco, Sustentabilidade e soberania na Amazônia, (Back).
Em meados da década de 80, as preocupações dos brasileiros com uma suposta possibilidade de internacionalização da Amazônia ganhavam grandes repercussões. Imaginavam-se formas de ocupação territorial por tropas estrangeiras, o domínio econômico dos elementos do solo e do subsolo amazônico e prováveis guerras pelo controle sobre as reservas de água.
Ecologistas e membros das Forças Armadas tinham nesse cenário um dos raros pontos de convergência entre suas convicções ideológicas. Porém, assim como vários alertas divulgados com relação às perspectivas negativas do modelo de desenvolvimento adotado pelo Brasil, este pareceu envolvido numa elucubração catastrófica, sustentada por profetas do apocalipse. Pouco mais de duas décadas foi suficiente para indicar que a situação da Amazônia não variou muito quanto a algumas das piores previsões.
O Plano Colômbia viabilizou uma ocupação territorial parcial da região por tropas militares norte-americanas, comprovando o desejo das superpotências no domínio espacial dessas áreas. Por outro lado, temos presenciado inúmeras detenções de estrangeiros que tentam sair do Brasil com amostras de espécimes da fauna e da flora brasileiras - numa ação que se convencionou chamar de biopirataria: levam exemplares para laboratórios e desenvolvem tecnologias a partir de nosso patrimônio genético. Na atualidade, várias empresas por todo o planeta possuem patentes de produtos cosméticos, alimentícios ou farmacêuticos constituídos à base da genética de elementos de nossa biodiversidade.
Há uma farta lista de outras questões que poderiam ser usadas como exemplo do que não queremos para a Amazônia, relacionadas à água, à ocupação territorial, à violência e à exploração de madeira, pelo menos. A série de reportagens publicadas pelo Jornal do Brasil sobre o assunto trouxe à tona questões cruciais para os interesses nacionais, ressaltando o histórico de omissão do Estado brasileiro na região. Porém, não podemos deixar de lado os processos que pressionam para a mudança desse quadro e que já demonstram viabilidade política e ecológica.
O Programa Arpa - Áreas Protegidas na Amazônia (MMA / Funbio) - trabalha com um universo de investimentos em unidades de conservação na ordem de US$ 400 milhões, pelo prazo de dez anos. Já foram investidos US$ 90 milhões e somente em 2006 foram criados 18 milhões de hectares e consolidados outros 7 milhões de hectares de áreas protegidas na região. A meta é atingir 50 milhões de hectares até o final do programa.
No campo normativo há avanços importantes, como a edição da MP 2.166/01 - que passou a dispor sobre o acesso ao patrimônio genético, aos conhecimentos tradicionais e à repartição dos benefícios da atividade, instrumentalizando o Estado brasileiro e a sociedade para uma justa equação do problema. Não há como não citar a aprovação da Lei de Gestão de Florestas Públicas - dispondo dos meios para que o poder público ordene adequadamente o uso do solo e o manejo sustentável da floresta. A soberania brasileira na Amazônia depende da existência de instrumentos legais que viabilizem uma gestão pública da região, minimizando as possibilidades da manutenção das práticas ilícitas existentes desde muito tempo.
No campo administrativo, as operações promovidas pelo Ibama e pela Polícia Federal no combate aos crimes de falsificação de documentos de manejo e de transporte de madeira desvendaram quadrilhas que saqueavam elementos do bioma amazônico há várias décadas. E por outro lado, a execução do Plano de Combate ao Desmatamento na Amazônia - coordenado pela Casa Civil, com a participação de 14 ministérios, alcançou resultados significativos, reduzindo em cerca de 50% o desmatamento registrado nos últimos anos.
Vinculadas ao princípio da sustentabilidade, essas transformações em curso na região amazônica não podem abstrair dos processos participativos, onde o dissenso registra as diversidades sociais e culturais das comunidades envolvidas. A participação social em grande parte se manifesta através das ONGs e dos movimentos sociais, que são fundamentais na evolução das políticas públicas para a Amazônia.
Portanto, dado o diagnóstico atual de um dos principais biomas do Planeta, cabe à atual geração - em especial aos brasileiros - construir as políticas, os instrumentos e a cultura da sustentabilidade socioambiental da Amazônia, zelando pela soberania e pela paz, para o bem de toda forma de existência. Os primeiros passos para alcançar estes objetivos estão sendo dados e é fundamental que isso seja reconhecido.
22/02/07, Sócio-ambientalismo, (Back).
Mas não foi só o governo que saiu arranhado da cerimônia, realizada na ilha do Combu, próxima a Belém (PA). Segundo o jornal O Globo, a própria CNBB foi alvo de críticas de pastorais sociais e outras entidades religiosas. É que o lançamento foi restrito a convidados e financiado pela Companhia Vale do Rio Doce, que é apontada por eles como responsável por conflitos com populações tradicionais da Amazônia. A igreja pretende, entre suas principais ações, acolher quilombolas e companhia debaixo de suas asas. E alardeia uma mobilização nacional contra os latifúndios na região.
22/02/07, Maurício Savarese, Igreja mira Amazônia para acertar governos e globalização, (Back).
Texto da CNBB diz que a Campanha da Fraternidade é um convite para se repensar, a partir da realidade amazônica, o modelo de desenvolvimento para o País
Após vários anos usando temas mais distantes da política e uma retórica mais amena, a Igreja Católica brasileira iniciou nesta quarta-feira, 21, a Campanha da Fraternidade de 2007 com críticas aos governos e aos efeitos da globalização, tendo como mote a defesa da Amazônia.
"(A campanha) é um convite para que toda a sociedade brasileira repense, a partir da realidade amazônica, o modelo de desenvolvimento que se quer para o País como um todo", diz o texto base da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para a campanha, que começou nesta Quarta-Feira de Cinzas com uma celebração na Ilha do Cumbu, na região de Belém.
Nas mais recentes edições do evento, os assuntos discutidos foram os portadores de deficiência, a terceira idade e a paz. "Esta riquíssima ´sociobiodiversidade´ ... é também um chamado à responsabilidade do Estado e da sociedade para que não continuem financiando ou tolerando um modelo de desenvolvimento predador", afirma o documento.
Entre as propostas dos religiosos, que serão debatidas na capital paraense nesta quinta-feira, 22, com deputados e senadores de Estados da Amazônia Legal, estão o fim da reintegração de posse a fazendeiros que têm terras invadidas e políticas de desenvolvimento sustentável, com ênfase na questão da água.
´Idas e vindas´ Composta por nove Estados - Amazonas, Acre, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Maranhão, Tocantins e Mato Grosso -, a Amazônia Legal é morada de muitas autoridades católicas próximas à Teologia da Libertação, que propõe a visão de um Jesus Cristo revolucionário e que vê necessidade de a Igreja se envolver na transformação social.
O arcebispo de Belém, d. Orani Tempesta, vê boa vontade na sociedade para debater as questões da Amazônia, apesar do que chama de "idas e vindas" na atuação dos governos. Mas critica, com discrição religiosa.
"Nós todos, de um lado e do outro, vamos nos aprofundar nessa questão com essa oportunidade que abrimos. Nós sabemos que não tem como voltar atrás da globalização, somos realistas. Mas ela precisa ser mais bem orientada e ter mais respeito pelas culturas locais. Isso ainda está por acontecer", disse ele à Reuters por telefone.
Na Região Norte do País, onde está a maior parte da Amazônia, a Igreja Católica tem perdido fiéis para religiões neopentecostais. A CNBB, no entanto, nega que isso tenha pesado para a escolha do tema e para o local de lançamento da campanha, sediado fora de Brasília pela primeira vez.
Protestos Dez organizações católicas se uniram para assinar um manifesto contra a forma de lançamento da campanha, a qual chamaram de elitista e distante da vida das populações amazônicas. O evento foi organizado em uma ilha por uma empresa de eventos e teve o patrocínio da Companhia Vale do Rio Doce.
"É a primeira vez que isso acontece, de ter um início de campanha tão longe do povo. Ali só entrou quem tinha convite", disse à Reuters Madalena Santos, uma das coordenadoras nacionais da Comissão Pastoral da Terra.
No manifesto, a pastoral e os outros grupos dizem que "o caso da Vale é tão gritante que a própria Igreja, através do Grito dos Excluídos e da 4ª Semana Social Brasileira ... se comprometeu em propor um plebiscito popular para a anulação do leilão" que privatizou a companhia.
Responsável pela organização do evento, o arcebispo de Belém considerou equivocado o teor do manifesto e lamentou que os autores não tenham conversado com ele antes de divulgá-lo.
"A abertura da Campanha da Fraternidade sempre foi uma entrevista coletiva. Sempre. E aqui tivemos mais do que isso, tivemos convidados porque as autoridades se interessaram, o que poderia nos dar mais visibilidade. Com uma conversa eles teriam entendido isso, mas preferiram demonstrar que desconhecem o funcionamento do evento", afirmou.
"A empresa patrocina quem ela quiser e existe Judiciário e Ministério Público para apurar se houver algo de errado relacionado a ela ou ao trabalho que ela faz. O que a gente não pode é condenar de antemão, eleger alvo de expurgo desse jeito", acrescentou.
A primeira Campanha da Fraternidade foi feita em 1964 para discutir problemas com a sociedade e propor soluções. Após o lançamento, serão feitos debates também nas dioceses de todo o País até a quinta-feira anterior à Páscoa.
22/02/07, Amazônia: ministra rebate críticas da CNBB, (Back).
Para Marina Silva, dados sobre desmatamento de entidade só vão até 2004.
Bispo disse que ações do governo são "ineficientes ou ausentes".
Em entrevista à rádio CBN (ouça aqui), a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, respondeu às críticas do secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Odilo Pedro Scherer, que disse ontem, no lançamento da Campanha da Fraternidade 2007, que as ações do governo na Amazônia são “ineficientes ou ausentes”.
Para a ministra, os dados compilados pela CNBB sobre a Amazônia se referem até o ano de 2004 e não incluiriam a redução de 52% do desmatamento nos dois últimos anos.
“Acho que dom Odilo se refere ao processo histórico de como as coisas aconteciam. Até 17 anos atrás, mesmo as informações que eram produzidas pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais), que são altamente importantes, quando eram processadas, de fato o desmatamento já tinha acontecido. Nos últimos quatro anos, mudamos isso: criamos um sistema de detecção do desmatamento em tempo real e isso nos permitiu ter algum nível de antecipação”, disse.
A ministra, que também participou do lançamento da Campanha da Fraternidade, cujo lema este ano é “Fraternidade e Amazônia”, voltou a admitir que as ações do governo são “apenas o começo”.
“Como eu disse, com essa redução, que é inicial, não podemos cantar vitória. Temos que permanecer com esse trabalho. Mas, para só para se ter uma idéia, [a ação] evitou a derrubada de 1 bilhão de árvores, a morte de 40 milhões de aves e de 1 milhão de primatas. Além disso, evitou que fossem lançados na atmosfera 430 milhões de toneladas de CO2”, disse.
Para a ministra, o fato de a CNBB transformar a Amazônia em tema de campanha tem um impacto positivo para o trabalho de preservação da floresta.
“Se formos verificar o que aconteceu com relação à percepção que se tinha da Amazônia há 18 anos, antes do assassinato de Chico Mendes, ela cresceu de forma gigantesca. Isso não significa que se traduzam em novas atitudes por parte de pessoas, empresas e até de políticas públicas. A campanha ajuda em capilaridade e na sustentabilidade política e ética. As coisas não mudam por ato de vontade externa, mas da mobilização das pessoas”, disse.
Reforma ministerial
Marina Silva disse não ter conversado ainda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre sua permanência à frente do Ministério do Meio Ambiente. “O presidente Lula não conversou comigo, mas não vamos baixar a guarda. Vamos trabalhar como começamos no dia 1º de janeiro de 2003. Se continuarmos, precisamos estar com as máquinas já quentes. Se tivermos de sair, vamos deixar aquecidas para aqueles que virão. Este não é trabalho que depende de pessoas, mas de projetos e de visão.
21/02/07, Amazônia é tema da Campanha da Fraternidade 2007., (Back).
Campanha será lançada no Pará nesta quarta-feira de cinzas.
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil quer revelar problemas locais.
A onda de discussões sobre temas ambientais, iniciada há três semanas com a divulgação de um estudo internacional sobre o aquecimento do planeta, ganha um novo reforço nesta quarta-feira (21), com o lançamento da Campanha da Fraternidade 2007. Neste ano, a Igreja escolheu como tema 'Fraternidade e Amazônia - Vida e missão neste chão'. Pura coincidência. O tema estava definido havia dois anos.
Cartaz da Campanha Fraternidade (Foto: Ag.Brasil)A idéia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é revelar a seus fiéis a realidade da Amazônia, as dificuldades em que vivem seus habitantes e, sobretudo, mostrar como a mudança de hábitos pode trazer benefícios para a região. "A revisão dos padrões de consumo e a ênfase para que governos adotem políticas que proporcionem o desenvolvimento sustentável da Amazônia são uma forma de fraternidade", diz o secretário-executivo da campanha, cônego José Carlos Dias Toffoli, o padre Carlão.
O texto básico da campanha é um verdadeiro libelo. Traz desde as estatísticas que retratam as desigualdades entre os habitantes da Amazônia e o restante do país à lista das conseqüências nefastas da militarização, do tráfico de drogas, os problemas da ocupação de terra e a disputa por territórios.
No trecho sobre os objetivos da campanha, o documento recomenda: "Denunciar as situações que agridem a vida, ameaçam os povos e projetos de dominação que perpetuam modelos econômicos colonialistas".
Esta é a terceira vez, em 43 anos, que a CNBB aborda um tema ligado a questões ambientais. Em 1979, o lema foi 'Preserve o que é de todos' e, em 2004, a água e seu uso racional. Desta vez, no entanto, há uma mescla entre a preservação do ambiente e a necessidade de melhorar as condições de vida da população da Amazônia - uma campanha sócio-ambiental.
Lançamento
O lançamento oficial da campanha será em uma ilha próxima a Belém (PA). Estarão presentes a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e a secretária de coordenação da Amazônia, Muriel Saragoussi. "Antes de mais nada, é uma campanha educativa", avalia Muriel.
Ela observa que, entre seus muitos mitos, o Brasil perpetua o da Amazônia e seu povo. "É preciso ir além do folclore. Há uma relação muito especial entre o homem e a natureza naquela região", afirma Muriel. "E não há apenas um povo, não é uma Amazônia, são várias: a das águas, a da terra firme, a das cidades."
Para Muriel, o tema da campanha representa mais do que uma coincidência. É um importante aliado num momento em que o meio ambiente passou a ser tratado como a pedra no sapato para o desenvolvimento. "Desenvolvimento não é sinônimo de obra. É muito mais que isso. E é algo que tentamos colocar em prática, por exemplo, com o projeto da BR-163."
O texto da CNBB faz coro ao discurso de Muriel: "Mesmo sabendo que as populações da Amazônia precisam de estradas, de energia, de comunicação, preocupa-nos que as prioridades de investimento sejam direcionadas aos interesses do capital. A abertura de estradas não pode continuar estimulando o aumento do desmatamento, a invasão das terras indígenas e o incentivo à grilagem. As barragens não podem continuar significando remoção de povoados inteiros, alagamento de vastas áreas de florestas, ocupações de terras. As hidrovias não podem trazer o desequilíbrio ambiental, o assoreamento dos rios, o prejuízo à fauna e à flora aquática".
Ponto de Partida
A coordenadora da ONG WWF-Brasil, Denise Hamu, elogiou a iniciativa da CNBB. "A Igreja tem uma influência, uma capilaridade muito grande. E a mensagem pode não só alertar para a importância da preservação da região, mas despertar o orgulho dela."
Denise afirma que o país precisa encontrar variáveis inovadoras para o desenvolvimento e despertar para o fato de que meio ambiente não é entrave, mas uma oportunidade. "O modelo predatório há muito não serve mais. Claro que na nova linha é preciso planejamento", observa. Isso leva tempo. Mas poderia ser muito menos se a lógica dos empreendimentos fosse revertida. "Depois de pronto o projeto, empreendedores vão pensar na parte ambiental. A lógica deveria ser outra: o meio ambiente como ponto de partida."
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22/02/07, Campanha da Fraternidade recebe críticas, (Source).
22/02/07, Rogério Rocco, Sustentabilidade e soberania na Amazônia, (Source).
22/02/07, Sócio-ambientalismo, (Source).
22/02/07, Maurício Savarese, Igreja mira Amazônia para acertar governos e globalização, (Source).
22/02/07, Amazônia: ministra rebate críticas da CNBB, (Source).
21/02/07, Amazônia é tema da Campanha da Fraternidade 2007., (Source).
23/02/07, Papa pede atenção para a Amazônia, (Back).
Brasília. O papa Bento XVI pediu às autoridades e à Igreja do Brasil que dediquem atenção especial à preservação da Floresta Amazônica, em uma mensagem divulgada ontem pelo Vaticano. A Amazônia é o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, promovida pela Igreja Católica e algumas agremiações evangélicas do Brasil.
Na mensagem, Bento XVI, que vem ao Brasil em maio, diz desejar que "as diversas instâncias da sociedade civil sejam cada vez mais sensíveis à questão amazônica, no respeito das exigências éticas da Justiça e do respeito à vida".
O pontífice observa que "a iniciativa se insere no marco mais amplo da defesa do meio ambiente, porque esse vasto território constitui um patrimônio comum, que por sua realidade humana sócio-política, econômica e ambiental, requer uma atenção especial por parte da Igreja e da sociedade brasileiras".
Segundo o papa, a Igreja tem que fomentar um processo de ampla evangelização, que estimule a missão e as condições favoráveis para o descobrimento e o crescimento da fé de toda a população amazônica.
A campanha acabou gerando crise entre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o governo. No discurso de lançamento da campanha, quarta-feira, no Pará, o secretário-geral da CNBB, dom Odilo Pedro Scherer, disse que na Amazônia as ações do governo Lula são "ineficientes ou ausentes".
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, presente na abertura do evento, não gostou do tom do discurso. Mas só ontem defendeu-se das críticas do bispo. Disse que dom Odilo não dispõe de dados atualizados. Marina disse também que os autores da cartilha da campanha não sabem, por exemplo, que houve queda de 52% no desmatamento da região desde 2004.
E lembrou que, há quatro anos, o governo criou um sistema de detecção do desmatamento em tempo real, o que permite antepor-se a ações predatórias.
- Acho que dom Odilo se refere ao processo histórico de como as coisas aconteciam - rebateu Marina. - Temos que permanecer com esse trabalho, mas, só para se ter uma idéia, evitamos a derrubada de 1 bilhão de árvores, a morte de 40 milhões de aves e 1 milhão de primatas. Evitamos que fossem lançados na atmosfera 430 milhões de toneladas de CO2.
O texto-base da campanha foi alvo até de críticas de nove organizações católicas. A principal crítica é o fato de a Campanha da Fraternidade ser patrocinada pela Companhia Vale do Rio Doce, "uma das principais responsáveis pela destruição ambiental e por conflitos com populações tradicionais da Amazônia".
22/02/07, Campanha da Fraternidade recebe críticas, (Back).
Brasília. Nove pastorais sociais e organismos ligados à Igreja Católica divulgaram manifesto criticando a programação do lançamento da Campanha da Fraternidade 2007, que ocorreu ontem, em Belém.
As organizações argumentam que existe uma contradição "entre o discurso do texto-base da campanha" - que destaca a reflexão sobre as comunidades tradicionais da Amazônia - e a forma como o evento foi programado.
Segundo o manifesto lançado pelas entidades católicas, "o mais grave" é que o lançamento seja patrocinado pela Companhia Vale do Rio Doce, "uma das principais responsáveis pela destruição ambiental e por conflitos com as populações tradicionais da Amazônia".
"A imprensa nacional noticiou nos últimos meses as ações dos índios Xicrin contra a Vale", diz o manifesto. segundo o documento, a empresa cortou todos os repasses de recursos contratados com os indígenas, só voltando a efetuá-los por decisão judicial.
O tema deste ano é Fraternidade e Amazônia. Pela primeira vez o lançamento da Campanha da Fraternidade não é realizado em Brasília. A CNBB escolheu a cidade de Belém porque o Pará, segundo um estudo do IBGE é o Estado que tem o maior índice de desmatamento.
Segundo o presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil, Carlos Francisco Signorelli, as entidades católicas não participaram do lançamento da campanha de 2007.
- Diante disto, decidimos não participar do evento que lançou a campanha, como protesto pela forma como foi organizado, sobretudo pela ausência do povo, principal sujeito da Campanha da Fraternidade".
Apesar das críticas, as entidades não são contra a Campanha da Fraternidade Segundo o manifesto, a campanha é um "gesto profético" da Igreja no Brasil que ajuda os cristãos e toda a sociedade a refletirem sobre temas da maior relevância social.
Para Signorelli, a Campanha da Fraternidade é fundamental e as entidades contribuem muito para a difusão do evento por todo país.
- Achamos que houve falta de sintonia entre a campanha e a forma de lançamento, pois ela prega que os povos da Amazônia têm muito a dizer pela sua simplicidade.
Assinam o manifesto das entidades acatólicas a Articulação Nacional da Pastoral da Mulher Marginalizada, a Comissão Dominicana de Justiça e Paz, a Pastoral da Terra, o Conselho Nacional do Laicato, o Grito dos Excluídos, o Grito dos Excluídos/Continental, Pastoral da Juventude Rural (PJR), a Pastoral do Menor e Pastoral dos Migrantes.
22/02/07, Rogério Rocco, Sustentabilidade e soberania na Amazônia, (Back).
Em meados da década de 80, as preocupações dos brasileiros com uma suposta possibilidade de internacionalização da Amazônia ganhavam grandes repercussões. Imaginavam-se formas de ocupação territorial por tropas estrangeiras, o domínio econômico dos elementos do solo e do subsolo amazônico e prováveis guerras pelo controle sobre as reservas de água.
Ecologistas e membros das Forças Armadas tinham nesse cenário um dos raros pontos de convergência entre suas convicções ideológicas. Porém, assim como vários alertas divulgados com relação às perspectivas negativas do modelo de desenvolvimento adotado pelo Brasil, este pareceu envolvido numa elucubração catastrófica, sustentada por profetas do apocalipse. Pouco mais de duas décadas foi suficiente para indicar que a situação da Amazônia não variou muito quanto a algumas das piores previsões.
O Plano Colômbia viabilizou uma ocupação territorial parcial da região por tropas militares norte-americanas, comprovando o desejo das superpotências no domínio espacial dessas áreas. Por outro lado, temos presenciado inúmeras detenções de estrangeiros que tentam sair do Brasil com amostras de espécimes da fauna e da flora brasileiras - numa ação que se convencionou chamar de biopirataria: levam exemplares para laboratórios e desenvolvem tecnologias a partir de nosso patrimônio genético. Na atualidade, várias empresas por todo o planeta possuem patentes de produtos cosméticos, alimentícios ou farmacêuticos constituídos à base da genética de elementos de nossa biodiversidade.
Há uma farta lista de outras questões que poderiam ser usadas como exemplo do que não queremos para a Amazônia, relacionadas à água, à ocupação territorial, à violência e à exploração de madeira, pelo menos. A série de reportagens publicadas pelo Jornal do Brasil sobre o assunto trouxe à tona questões cruciais para os interesses nacionais, ressaltando o histórico de omissão do Estado brasileiro na região. Porém, não podemos deixar de lado os processos que pressionam para a mudança desse quadro e que já demonstram viabilidade política e ecológica.
O Programa Arpa - Áreas Protegidas na Amazônia (MMA / Funbio) - trabalha com um universo de investimentos em unidades de conservação na ordem de US$ 400 milhões, pelo prazo de dez anos. Já foram investidos US$ 90 milhões e somente em 2006 foram criados 18 milhões de hectares e consolidados outros 7 milhões de hectares de áreas protegidas na região. A meta é atingir 50 milhões de hectares até o final do programa.
No campo normativo há avanços importantes, como a edição da MP 2.166/01 - que passou a dispor sobre o acesso ao patrimônio genético, aos conhecimentos tradicionais e à repartição dos benefícios da atividade, instrumentalizando o Estado brasileiro e a sociedade para uma justa equação do problema. Não há como não citar a aprovação da Lei de Gestão de Florestas Públicas - dispondo dos meios para que o poder público ordene adequadamente o uso do solo e o manejo sustentável da floresta. A soberania brasileira na Amazônia depende da existência de instrumentos legais que viabilizem uma gestão pública da região, minimizando as possibilidades da manutenção das práticas ilícitas existentes desde muito tempo.
No campo administrativo, as operações promovidas pelo Ibama e pela Polícia Federal no combate aos crimes de falsificação de documentos de manejo e de transporte de madeira desvendaram quadrilhas que saqueavam elementos do bioma amazônico há várias décadas. E por outro lado, a execução do Plano de Combate ao Desmatamento na Amazônia - coordenado pela Casa Civil, com a participação de 14 ministérios, alcançou resultados significativos, reduzindo em cerca de 50% o desmatamento registrado nos últimos anos.
Vinculadas ao princípio da sustentabilidade, essas transformações em curso na região amazônica não podem abstrair dos processos participativos, onde o dissenso registra as diversidades sociais e culturais das comunidades envolvidas. A participação social em grande parte se manifesta através das ONGs e dos movimentos sociais, que são fundamentais na evolução das políticas públicas para a Amazônia.
Portanto, dado o diagnóstico atual de um dos principais biomas do Planeta, cabe à atual geração - em especial aos brasileiros - construir as políticas, os instrumentos e a cultura da sustentabilidade socioambiental da Amazônia, zelando pela soberania e pela paz, para o bem de toda forma de existência. Os primeiros passos para alcançar estes objetivos estão sendo dados e é fundamental que isso seja reconhecido.
22/02/07, Sócio-ambientalismo, (Back).
Mas não foi só o governo que saiu arranhado da cerimônia, realizada na ilha do Combu, próxima a Belém (PA). Segundo o jornal O Globo, a própria CNBB foi alvo de críticas de pastorais sociais e outras entidades religiosas. É que o lançamento foi restrito a convidados e financiado pela Companhia Vale do Rio Doce, que é apontada por eles como responsável por conflitos com populações tradicionais da Amazônia. A igreja pretende, entre suas principais ações, acolher quilombolas e companhia debaixo de suas asas. E alardeia uma mobilização nacional contra os latifúndios na região.
22/02/07, Maurício Savarese, Igreja mira Amazônia para acertar governos e globalização, (Back).
Texto da CNBB diz que a Campanha da Fraternidade é um convite para se repensar, a partir da realidade amazônica, o modelo de desenvolvimento para o País
Após vários anos usando temas mais distantes da política e uma retórica mais amena, a Igreja Católica brasileira iniciou nesta quarta-feira, 21, a Campanha da Fraternidade de 2007 com críticas aos governos e aos efeitos da globalização, tendo como mote a defesa da Amazônia.
"(A campanha) é um convite para que toda a sociedade brasileira repense, a partir da realidade amazônica, o modelo de desenvolvimento que se quer para o País como um todo", diz o texto base da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para a campanha, que começou nesta Quarta-Feira de Cinzas com uma celebração na Ilha do Cumbu, na região de Belém.
Nas mais recentes edições do evento, os assuntos discutidos foram os portadores de deficiência, a terceira idade e a paz. "Esta riquíssima ´sociobiodiversidade´ ... é também um chamado à responsabilidade do Estado e da sociedade para que não continuem financiando ou tolerando um modelo de desenvolvimento predador", afirma o documento.
Entre as propostas dos religiosos, que serão debatidas na capital paraense nesta quinta-feira, 22, com deputados e senadores de Estados da Amazônia Legal, estão o fim da reintegração de posse a fazendeiros que têm terras invadidas e políticas de desenvolvimento sustentável, com ênfase na questão da água.
´Idas e vindas´ Composta por nove Estados - Amazonas, Acre, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Maranhão, Tocantins e Mato Grosso -, a Amazônia Legal é morada de muitas autoridades católicas próximas à Teologia da Libertação, que propõe a visão de um Jesus Cristo revolucionário e que vê necessidade de a Igreja se envolver na transformação social.
O arcebispo de Belém, d. Orani Tempesta, vê boa vontade na sociedade para debater as questões da Amazônia, apesar do que chama de "idas e vindas" na atuação dos governos. Mas critica, com discrição religiosa.
"Nós todos, de um lado e do outro, vamos nos aprofundar nessa questão com essa oportunidade que abrimos. Nós sabemos que não tem como voltar atrás da globalização, somos realistas. Mas ela precisa ser mais bem orientada e ter mais respeito pelas culturas locais. Isso ainda está por acontecer", disse ele à Reuters por telefone.
Na Região Norte do País, onde está a maior parte da Amazônia, a Igreja Católica tem perdido fiéis para religiões neopentecostais. A CNBB, no entanto, nega que isso tenha pesado para a escolha do tema e para o local de lançamento da campanha, sediado fora de Brasília pela primeira vez.
Protestos Dez organizações católicas se uniram para assinar um manifesto contra a forma de lançamento da campanha, a qual chamaram de elitista e distante da vida das populações amazônicas. O evento foi organizado em uma ilha por uma empresa de eventos e teve o patrocínio da Companhia Vale do Rio Doce.
"É a primeira vez que isso acontece, de ter um início de campanha tão longe do povo. Ali só entrou quem tinha convite", disse à Reuters Madalena Santos, uma das coordenadoras nacionais da Comissão Pastoral da Terra.
No manifesto, a pastoral e os outros grupos dizem que "o caso da Vale é tão gritante que a própria Igreja, através do Grito dos Excluídos e da 4ª Semana Social Brasileira ... se comprometeu em propor um plebiscito popular para a anulação do leilão" que privatizou a companhia.
Responsável pela organização do evento, o arcebispo de Belém considerou equivocado o teor do manifesto e lamentou que os autores não tenham conversado com ele antes de divulgá-lo.
"A abertura da Campanha da Fraternidade sempre foi uma entrevista coletiva. Sempre. E aqui tivemos mais do que isso, tivemos convidados porque as autoridades se interessaram, o que poderia nos dar mais visibilidade. Com uma conversa eles teriam entendido isso, mas preferiram demonstrar que desconhecem o funcionamento do evento", afirmou.
"A empresa patrocina quem ela quiser e existe Judiciário e Ministério Público para apurar se houver algo de errado relacionado a ela ou ao trabalho que ela faz. O que a gente não pode é condenar de antemão, eleger alvo de expurgo desse jeito", acrescentou.
A primeira Campanha da Fraternidade foi feita em 1964 para discutir problemas com a sociedade e propor soluções. Após o lançamento, serão feitos debates também nas dioceses de todo o País até a quinta-feira anterior à Páscoa.
22/02/07, Amazônia: ministra rebate críticas da CNBB, (Back).
Para Marina Silva, dados sobre desmatamento de entidade só vão até 2004.
Bispo disse que ações do governo são "ineficientes ou ausentes".
Em entrevista à rádio CBN (ouça aqui), a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, respondeu às críticas do secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Odilo Pedro Scherer, que disse ontem, no lançamento da Campanha da Fraternidade 2007, que as ações do governo na Amazônia são “ineficientes ou ausentes”.
Para a ministra, os dados compilados pela CNBB sobre a Amazônia se referem até o ano de 2004 e não incluiriam a redução de 52% do desmatamento nos dois últimos anos.
“Acho que dom Odilo se refere ao processo histórico de como as coisas aconteciam. Até 17 anos atrás, mesmo as informações que eram produzidas pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais), que são altamente importantes, quando eram processadas, de fato o desmatamento já tinha acontecido. Nos últimos quatro anos, mudamos isso: criamos um sistema de detecção do desmatamento em tempo real e isso nos permitiu ter algum nível de antecipação”, disse.
A ministra, que também participou do lançamento da Campanha da Fraternidade, cujo lema este ano é “Fraternidade e Amazônia”, voltou a admitir que as ações do governo são “apenas o começo”.
“Como eu disse, com essa redução, que é inicial, não podemos cantar vitória. Temos que permanecer com esse trabalho. Mas, para só para se ter uma idéia, [a ação] evitou a derrubada de 1 bilhão de árvores, a morte de 40 milhões de aves e de 1 milhão de primatas. Além disso, evitou que fossem lançados na atmosfera 430 milhões de toneladas de CO2”, disse.
Para a ministra, o fato de a CNBB transformar a Amazônia em tema de campanha tem um impacto positivo para o trabalho de preservação da floresta.
“Se formos verificar o que aconteceu com relação à percepção que se tinha da Amazônia há 18 anos, antes do assassinato de Chico Mendes, ela cresceu de forma gigantesca. Isso não significa que se traduzam em novas atitudes por parte de pessoas, empresas e até de políticas públicas. A campanha ajuda em capilaridade e na sustentabilidade política e ética. As coisas não mudam por ato de vontade externa, mas da mobilização das pessoas”, disse.
Reforma ministerial
Marina Silva disse não ter conversado ainda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre sua permanência à frente do Ministério do Meio Ambiente. “O presidente Lula não conversou comigo, mas não vamos baixar a guarda. Vamos trabalhar como começamos no dia 1º de janeiro de 2003. Se continuarmos, precisamos estar com as máquinas já quentes. Se tivermos de sair, vamos deixar aquecidas para aqueles que virão. Este não é trabalho que depende de pessoas, mas de projetos e de visão.
21/02/07, Amazônia é tema da Campanha da Fraternidade 2007., (Back).
Campanha será lançada no Pará nesta quarta-feira de cinzas.
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil quer revelar problemas locais.
A onda de discussões sobre temas ambientais, iniciada há três semanas com a divulgação de um estudo internacional sobre o aquecimento do planeta, ganha um novo reforço nesta quarta-feira (21), com o lançamento da Campanha da Fraternidade 2007. Neste ano, a Igreja escolheu como tema 'Fraternidade e Amazônia - Vida e missão neste chão'. Pura coincidência. O tema estava definido havia dois anos.
Cartaz da Campanha Fraternidade (Foto: Ag.Brasil)A idéia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é revelar a seus fiéis a realidade da Amazônia, as dificuldades em que vivem seus habitantes e, sobretudo, mostrar como a mudança de hábitos pode trazer benefícios para a região. "A revisão dos padrões de consumo e a ênfase para que governos adotem políticas que proporcionem o desenvolvimento sustentável da Amazônia são uma forma de fraternidade", diz o secretário-executivo da campanha, cônego José Carlos Dias Toffoli, o padre Carlão.
O texto básico da campanha é um verdadeiro libelo. Traz desde as estatísticas que retratam as desigualdades entre os habitantes da Amazônia e o restante do país à lista das conseqüências nefastas da militarização, do tráfico de drogas, os problemas da ocupação de terra e a disputa por territórios.
No trecho sobre os objetivos da campanha, o documento recomenda: "Denunciar as situações que agridem a vida, ameaçam os povos e projetos de dominação que perpetuam modelos econômicos colonialistas".
Esta é a terceira vez, em 43 anos, que a CNBB aborda um tema ligado a questões ambientais. Em 1979, o lema foi 'Preserve o que é de todos' e, em 2004, a água e seu uso racional. Desta vez, no entanto, há uma mescla entre a preservação do ambiente e a necessidade de melhorar as condições de vida da população da Amazônia - uma campanha sócio-ambiental.
Lançamento
O lançamento oficial da campanha será em uma ilha próxima a Belém (PA). Estarão presentes a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e a secretária de coordenação da Amazônia, Muriel Saragoussi. "Antes de mais nada, é uma campanha educativa", avalia Muriel.
Ela observa que, entre seus muitos mitos, o Brasil perpetua o da Amazônia e seu povo. "É preciso ir além do folclore. Há uma relação muito especial entre o homem e a natureza naquela região", afirma Muriel. "E não há apenas um povo, não é uma Amazônia, são várias: a das águas, a da terra firme, a das cidades."
Para Muriel, o tema da campanha representa mais do que uma coincidência. É um importante aliado num momento em que o meio ambiente passou a ser tratado como a pedra no sapato para o desenvolvimento. "Desenvolvimento não é sinônimo de obra. É muito mais que isso. E é algo que tentamos colocar em prática, por exemplo, com o projeto da BR-163."
O texto da CNBB faz coro ao discurso de Muriel: "Mesmo sabendo que as populações da Amazônia precisam de estradas, de energia, de comunicação, preocupa-nos que as prioridades de investimento sejam direcionadas aos interesses do capital. A abertura de estradas não pode continuar estimulando o aumento do desmatamento, a invasão das terras indígenas e o incentivo à grilagem. As barragens não podem continuar significando remoção de povoados inteiros, alagamento de vastas áreas de florestas, ocupações de terras. As hidrovias não podem trazer o desequilíbrio ambiental, o assoreamento dos rios, o prejuízo à fauna e à flora aquática".
Ponto de Partida
A coordenadora da ONG WWF-Brasil, Denise Hamu, elogiou a iniciativa da CNBB. "A Igreja tem uma influência, uma capilaridade muito grande. E a mensagem pode não só alertar para a importância da preservação da região, mas despertar o orgulho dela."
Denise afirma que o país precisa encontrar variáveis inovadoras para o desenvolvimento e despertar para o fato de que meio ambiente não é entrave, mas uma oportunidade. "O modelo predatório há muito não serve mais. Claro que na nova linha é preciso planejamento", observa. Isso leva tempo. Mas poderia ser muito menos se a lógica dos empreendimentos fosse revertida. "Depois de pronto o projeto, empreendedores vão pensar na parte ambiental. A lógica deveria ser outra: o meio ambiente como ponto de partida."
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