Defesanet: Entrevista - General-de-divisão Urano Teixeira Bacellar
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Panorama Haiti
Defesanet 08 Agosto 2005
Zero Hora 07 Agosto 2005
"Esta missão é muito importante para o Brasil"
Entrevista: General-de-divisão Urano Teixeira Bacellar
Marcelo Fleury

Nascido em Bagé, Urano Teixeira Bacellar, o futuro comandante da missão de paz das Nações Unidas no Haiti, afastou-se de vez de sua terra natal ao decidir se tornar um pára-quedista. A escolha significou passar a maior parte de sua carreira no Rio de Janeiro, sede da Brigada de Infantaria Pára-Quedista do Exército e onde incorporou o erre levemente carregado que destoa do sotaque gaúcho. Mas o general garante que não perdeu as raízes, e dá um exemplo:
- Sou um sofredor do Grêmio. O que posso fazer?
Os colegas que se formaram com ele na Academia Militar das Agulhas Negras em 1969 o definem como um sujeito tranqüilo, quieto e com a mira precisa, o que lhe rendeu a reputação de exímio atirador. Também realizou os cursos mais difíceis do Exército, como mestre de saltos e precursor pára-quedista.
Mas é aos 57 anos que enfrentará sua missão mais complicada: comandar 6,7 mil soldados de mais de uma dezena de nacionalidades na pacificação de um país onde a violência não dá trégua. No fim de agosto, substituirá o general Augusto Heleno Ribeiro na função que virou alvo de críticas de grupos de direitos humanos. Longe da família, sua nova casa será um quarto de hotel na capital haitiana, Porto Príncipe. Os preparativos para a mudança foram interrompidos na sexta-feira para falar a ZH, por telefone, desde Brasília, onde mora:
Zero Hora - Está confirmada sua nomeação como novo comandante das tropas internacionais no Haiti?
General Urano Teixeira Bacellar - Está confirmada, mas ainda tenho de assinar o contrato com a ONU. Vou a Nova York no próximo dia 22 para assistir a um briefing do general Heleno. Na ocasião deve ser formalizada minha nomeação. Dali já sigo direto para o Haiti, para assumir o comando no dia 31 de agosto ou 1º de setembro.
ZH - Como foi a escolha?
General Bacellar - Foi uma designação do comandante do Exército, que passou pelo Ministério da Defesa e pela missão permanente do Brasil na ONU. Estive em Nova York fazendo uma avaliação na sede das Nações Unidas, ocasião em que meu nome foi confirmado. Mas ainda falta o contrato.
ZH - E como o senhor recebeu a notícia de sua nomeação?
General Bacellar - Como militar. Como soldado. Quando você recebe uma missão, tem de cumprir da melhor forma possível, imaginando que esteja habilitado para isso. Esta é uma missão muito importante para o Brasil e para o nosso Exército.
ZH - O senhor já foi ao Haiti?
General Bacellar - Estive lá na substituição do primeiro contingente, no fim do ano passado. Mas fiquei só uma noite. Não conheci o Haiti.
ZH - E como está se preparando?
General Bacellar - Meu trabalho no Estado-Maior do Exército, aqui em Brasília, já tinha alguma ligação com operações de paz. Também venho acompanhando de perto o trabalho do general Heleno. Ainda estou em uma fase tumultuada, providenciando as questões relativas a minha transferência e me inteirando como posso sobre os regulamentos da ONU.
ZH - Qual será seu principal desafio como comandante da missão?
General Bacellar - O mais imediato será concretizar as eleições, que ocorrem em outubro e novembro. Fazer com que elas transcorram da maneira mais ordenada possível exigirá um planejamento detalhado, que já está sendo feito e do qual ficarei a par nessa minha viagem a Nova York.
ZH - A atuação do Brasil no Haiti tem sido muito criticada por grupos de direitos humanos. O senhor está pronto para lidar com as críticas?
General Bacellar - Ainda não tenho subsídios para falar sobre isso. Também não quero fazer uma avaliação sobre o andamento da missão, que está sob o comando do general Heleno.
ZH - Mas em linhas gerais, como o senhor vê a atuação das tropas da ONU no país?
General Bacellar - De uma maneira geral, a missão da ONU está progredindo. Tanto que teremos eleições em outubro e novembro. Mas também temos que considerar que essa é uma missão complexa, ou como a ONU costuma chamar, multidisciplinar. Ela não depende apenas de forças militares, mas de um conjunto de fatores que vão além do trabalho das tropas.
ZH - Qual foi a última vez que o senhor serviu no Rio Grande do Sul?
General Bacellar - Faz tempo. Foi logo que saí aspirante, em 1969. Servi no 19º Batalhão de Infantaria Motorizado, de São Leopoldo. Depois fui para o Rio em 1970 e nunca mais voltei para trabalhar no Rio Grande do Sul.

Defesanet 08 Agosto 2005
Zero Hora 07 Agosto 2005
"Esta missão é muito importante para o Brasil"
Entrevista: General-de-divisão Urano Teixeira Bacellar
Marcelo Fleury

Nascido em Bagé, Urano Teixeira Bacellar, o futuro comandante da missão de paz das Nações Unidas no Haiti, afastou-se de vez de sua terra natal ao decidir se tornar um pára-quedista. A escolha significou passar a maior parte de sua carreira no Rio de Janeiro, sede da Brigada de Infantaria Pára-Quedista do Exército e onde incorporou o erre levemente carregado que destoa do sotaque gaúcho. Mas o general garante que não perdeu as raízes, e dá um exemplo:
- Sou um sofredor do Grêmio. O que posso fazer?
Os colegas que se formaram com ele na Academia Militar das Agulhas Negras em 1969 o definem como um sujeito tranqüilo, quieto e com a mira precisa, o que lhe rendeu a reputação de exímio atirador. Também realizou os cursos mais difíceis do Exército, como mestre de saltos e precursor pára-quedista.
Mas é aos 57 anos que enfrentará sua missão mais complicada: comandar 6,7 mil soldados de mais de uma dezena de nacionalidades na pacificação de um país onde a violência não dá trégua. No fim de agosto, substituirá o general Augusto Heleno Ribeiro na função que virou alvo de críticas de grupos de direitos humanos. Longe da família, sua nova casa será um quarto de hotel na capital haitiana, Porto Príncipe. Os preparativos para a mudança foram interrompidos na sexta-feira para falar a ZH, por telefone, desde Brasília, onde mora:
Zero Hora - Está confirmada sua nomeação como novo comandante das tropas internacionais no Haiti?
General Urano Teixeira Bacellar - Está confirmada, mas ainda tenho de assinar o contrato com a ONU. Vou a Nova York no próximo dia 22 para assistir a um briefing do general Heleno. Na ocasião deve ser formalizada minha nomeação. Dali já sigo direto para o Haiti, para assumir o comando no dia 31 de agosto ou 1º de setembro.
ZH - Como foi a escolha?
General Bacellar - Foi uma designação do comandante do Exército, que passou pelo Ministério da Defesa e pela missão permanente do Brasil na ONU. Estive em Nova York fazendo uma avaliação na sede das Nações Unidas, ocasião em que meu nome foi confirmado. Mas ainda falta o contrato.
ZH - E como o senhor recebeu a notícia de sua nomeação?
General Bacellar - Como militar. Como soldado. Quando você recebe uma missão, tem de cumprir da melhor forma possível, imaginando que esteja habilitado para isso. Esta é uma missão muito importante para o Brasil e para o nosso Exército.
ZH - O senhor já foi ao Haiti?
General Bacellar - Estive lá na substituição do primeiro contingente, no fim do ano passado. Mas fiquei só uma noite. Não conheci o Haiti.
ZH - E como está se preparando?
General Bacellar - Meu trabalho no Estado-Maior do Exército, aqui em Brasília, já tinha alguma ligação com operações de paz. Também venho acompanhando de perto o trabalho do general Heleno. Ainda estou em uma fase tumultuada, providenciando as questões relativas a minha transferência e me inteirando como posso sobre os regulamentos da ONU.
ZH - Qual será seu principal desafio como comandante da missão?
General Bacellar - O mais imediato será concretizar as eleições, que ocorrem em outubro e novembro. Fazer com que elas transcorram da maneira mais ordenada possível exigirá um planejamento detalhado, que já está sendo feito e do qual ficarei a par nessa minha viagem a Nova York.
ZH - A atuação do Brasil no Haiti tem sido muito criticada por grupos de direitos humanos. O senhor está pronto para lidar com as críticas?
General Bacellar - Ainda não tenho subsídios para falar sobre isso. Também não quero fazer uma avaliação sobre o andamento da missão, que está sob o comando do general Heleno.
ZH - Mas em linhas gerais, como o senhor vê a atuação das tropas da ONU no país?
General Bacellar - De uma maneira geral, a missão da ONU está progredindo. Tanto que teremos eleições em outubro e novembro. Mas também temos que considerar que essa é uma missão complexa, ou como a ONU costuma chamar, multidisciplinar. Ela não depende apenas de forças militares, mas de um conjunto de fatores que vão além do trabalho das tropas.
ZH - Qual foi a última vez que o senhor serviu no Rio Grande do Sul?
General Bacellar - Faz tempo. Foi logo que saí aspirante, em 1969. Servi no 19º Batalhão de Infantaria Motorizado, de São Leopoldo. Depois fui para o Rio em 1970 e nunca mais voltei para trabalhar no Rio Grande do Sul.

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